Eu desconhecia que na Defensoria Pública existia uma Ouvidoria e que a mesma tivesse importância política que transformasse a eleição para ouvidor em um campo de batalha, mesmo tendo participado de reuniões com a Defensoria em alguns momentos, como na luta em defesa dos usuários dos CPS, nas audiências públicas sobre a licitação das linhas de ônibus, em apoio as creches e escolas comunitárias, entre outros.
Tomei conhecimento da eleição quando o companheiro Yuri Silva propôs para militantes do MPL o apoio ao Marcos Rezende na sua candidatura, por ser uma pessoa que atuou e colaborou com o movimento em várias oportunidades. Os que participaram do diálogo com o Yuri decidiram dar apoio ao Rezende.
Posteriormente companheiros que respeito pela militância no movimento social, em especial na luta antirracista, questionaram o meu apoio ao Rezende e não à Vilma Reis.
A partir dai comecei a ver vários posts atacando de forma indireta o Rezende como candidato, culminando com um texto que convoca para uma manifestação (https://www.facebook.com/events/344117669110255/).e que faz duras criticas, sem citar o nome, ao Rezende, tratando-o como governista, pretendente a interventor na Ouvidoria, omisso em relação a chacina do Cabula.
Quero aqui dizer que nunca ocupei nenhum cargo no governo, não pretendo ocupar, sempre me coloquei em oposição ao J. Wagner em vários momentos e ainda mais ao Rui Costa. Sou crítico à omissão e domesticação do Partido dos Trabalhadores. Tenho divergências com a EPS e as manifestei em reunião, por exemplo, com o deputado Valmir. E, portanto, tenho divergências também com o candidato a Ouvidoria Marcos Rezende.
Mas não considero que os argumentos utilizados no texto convocando a manifestação em apoio a Vilma Reis é adequado para quem pretende ser uma Ouvidora e representante dos movimentos sociais, pois é um texto sectário, que divide, que não contribui para fortalecer a luta dos que constroem no cotidiano a organização dos setores mais vulneráveis da sociedade, em especial as crianças e os jovens, pobres, negros e negras.
Não me considero medroso, muito menos coligado do governo, mesmo tendo manifestado apoio ao Marcos Rezende.
E os que apoiam o governo, que ocupam ou ocuparam cargos no governo J. Wagner e Rui Costa e que estão apoiando Vilma, esses estão em qual categoria? O apoio à Vilma os transforma em militantes combativos, autônomos, que não fogem da luta? Vilma não ocupou cargo no governo J. Wagner? Não esteve ao lado do candidato Luiz Alberto? E o Luiz Alberto se manifestou publicamente contra o governador e a chacina do Cabula?
Nós, do MPL, não só divulgamos nossa posição repudiando as declarações do Rui Costa, exigindo o imediato afastamento de todos os responsáveis, como articulamos outras organizações e movimentos a fazerem o mesmo. E nos fizemos presentes nas manifestações de apoio aos familiares.
Por mais respeito que se possa ter a Vilma Reis, esse texto que faz convocação dessa manifestação em seu apoio é um desserviço para as lutas dos movimentos sociais.
Walter Takemoto