O candidato ao cargo
de ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Marcos Rezende, é
historiador e militante histórico do movimento negro, além de apoiador de
outras lutas e causas sociais, a exemplo da liberdade e diversidade sexual e de
gênero, do combate ao machismo, à misoginia e à homolesbotransbifobia, da
defesa intransigente da laicidade do Estado e da liberdade religiosa e da
proteção de outros grupos vulneráveis, como as pessoas com deficiência, os
idosos e a juventude negra.
Fundador e, durante
anos, principal liderança do Coletivo de Entidades Negras (CEN), entidade
nacional da luta antirracista, Rezende é conhecido nos meios de luta pela
construção coletiva próxima aos movimentos sociais, seja no campo ou na cidade,
na roça ou nas periferias.
A trajetória desse
educador no debate racial começa ainda na escola, por ser filhos de pai negro e
mãe branca, o que amplia a sua percepção racial desde muito jovem. Aos 18 anos
de idade, torna-se um dos diretores da Associação dos Moradores do Conjunto
Habitacional Guilherme Marback e, em 1996, ingressa como voluntário no Olodum.
No bloco afro baiano,
Rezende foi coordenador de projetos no Centro de Documentação e Memória da
entidade e, dois anos depois, adentra no Terreiro de Oxumarê, espaço que seria
de importância fundamental para a sua história de vida e militância, pois foi a
partir de lá que ampliou a percepção de que várias entidades menos reconhecidas
precisavam de apoio e suporte para garantia de direitos.
Em 2004,após diversos
diálogos pela criação de uma entidade capaz de aglutinar variados setores mais
vulnerabilizados do movimento negro, como afoxés, blocos de percussão, blocos afros,
grupos de hip-hop, associações de bairros, blocos de reggae, terreiros de candomblé,
surge o CEN, entidade construída nas lutas cotidianas da cidade e que
proporcionou a Rezendegrande visibilidade pelas causas que defende de forma obstinada.
O coletivo, com sede
em Salvador e representações em 17 estados brasileiros, teve grande atuação,
por meio da elaboração de Rezende, na construção de espaços de destaque para as
entidades negras no Carnaval. O fortalecimento de afoxés, blocos afros, bandas
de samba e de outros movimentos culturais populares foi que deu origem ao CEN.A
luta encabeçada pelo historiador dentro da entidade e também como membro do
Conselho do Carnaval resultaria, mais tarde, em políticas de Estado concretas,
como o CarnavalOuro Negro.
Na qualidade de filho
de santo da Casa de Oxumaré desde 1998, onde ocupa o cargo de ogã confirmado
para Ewá e o Oyê (título) de Oju Oba, Marcos Rezende atuou ativamente em
diálogos institucionais com o poder público para o fortalecimento de projetos
sociais que proporcionassem interação do terreiro com a comunidade onde está
inserido, a fim de conscientizar as pessoas da importância da diversidade
religiosa. Teve, ainda, participação ativa em ações em defesa da associação
religiosa, o que resultou no tombamento estadual pelo IPAC e federal pelo
IPHAN.
Foi exatamente essa
pauta, de combate à intolerância com os cultos afrobrasileiros, que mais marcou
a trajetória de luta desse militante. Uma atuação extensa, incessante e
intermitente, de proximidade com diversos terreiros de candomblé, como a greve
de fome em defesa do então demolido Terreiro OyáOnipó Neto, seguido pela
reforma e pedido de desculpas do então prefeito a época, João Henrique Carneiro.
Participou ativamente também da luta pela permanência do Ilê Axé Ayrá Izó, que
tinha contra ele uma decisão judicial de reintegração de posse, dando visibilidade
a essas comunidadese direção política contra a intolerância religiosa.
Também enquanto coordenador
do CEN Brasil, elaboroua campanha nacional “Quem é de Axé Diz Que É”, que fez
os religiosos de matrizes africanas do todo o país se afirmassem frente ao
CENSO 2010 como tal. Através dessa campanha, fez com que o candomblé fosse
visto como a religião que mais cresceu proporcionalmente na Bahia e em outros
diversos estados do Brasil.
Projetos como o livrodo
Ilê Axé Oxumarê, a Cartilha Pelos Direitos dos Religiosos de Matrizes
Africanas, o Mapa da intolerância Religiosa, a produção do documentário “Até
Oxalá Vai a Guerra” e, posteriormente, o livro e documentárioMulheres de Axé,
respectivamente organizado e dirigido por Marcos Rezende, provam o compromisso
dele com essa e outras causas. Estes deixaram como legado histórico a promoção
da visibilidade de 200 ialorixás de Salvador, Região Metropolitana e do
Recôncavo Baiano e concorreram a prêmios internacionais, por conta da
importância que tiveram.
Conselho Nacional de
Direitos Humanos, Conselho Nacional de Segurança Pública, Secretaria de
Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Secretaria de Justiça da Bahia,
Assessoria Parlamentar da Câmara dos Deputados, Assessoria Parlamentar da
Assembleia Legislativa da Bahia e Assessoria Técnica da Secretaria Municipal de
Reparação são outros espaços onde a atuação de Rezende foi decisiva par a
construção de políticas no campo racial e por garantia de direitos humanos como
um todo.
Esse é da gente!