segunda-feira, 13 de abril de 2015

Trajetória

O candidato ao cargo de ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Marcos Rezende, é historiador e militante histórico do movimento negro, além de apoiador de outras lutas e causas sociais, a exemplo da liberdade e diversidade sexual e de gênero, do combate ao machismo, à misoginia e à homolesbotransbifobia, da defesa intransigente da laicidade do Estado e da liberdade religiosa e da proteção de outros grupos vulneráveis, como as pessoas com deficiência, os idosos e a juventude negra.
Fundador e, durante anos, principal liderança do Coletivo de Entidades Negras (CEN), entidade nacional da luta antirracista, Rezende é conhecido nos meios de luta pela construção coletiva próxima aos movimentos sociais, seja no campo ou na cidade, na roça ou nas periferias.
A trajetória desse educador no debate racial começa ainda na escola, por ser filhos de pai negro e mãe branca, o que amplia a sua percepção racial desde muito jovem. Aos 18 anos de idade, torna-se um dos diretores da Associação dos Moradores do Conjunto Habitacional Guilherme Marback e, em 1996, ingressa como voluntário no Olodum.
No bloco afro baiano, Rezende foi coordenador de projetos no Centro de Documentação e Memória da entidade e, dois anos depois, adentra no Terreiro de Oxumarê, espaço que seria de importância fundamental para a sua história de vida e militância, pois foi a partir de lá que ampliou a percepção de que várias entidades menos reconhecidas precisavam de apoio e suporte para garantia de direitos.
Em 2004,após diversos diálogos pela criação de uma entidade capaz de aglutinar variados setores mais vulnerabilizados do movimento negro, como afoxés, blocos de percussão, blocos afros, grupos de hip-hop, associações de bairros, blocos de reggae, terreiros de candomblé, surge o CEN, entidade construída nas lutas cotidianas da cidade e que proporcionou a Rezendegrande visibilidade pelas causas que defende de forma obstinada.
O coletivo, com sede em Salvador e representações em 17 estados brasileiros, teve grande atuação, por meio da elaboração de Rezende, na construção de espaços de destaque para as entidades negras no Carnaval. O fortalecimento de afoxés, blocos afros, bandas de samba e de outros movimentos culturais populares foi que deu origem ao CEN.A luta encabeçada pelo historiador dentro da entidade e também como membro do Conselho do Carnaval resultaria, mais tarde, em políticas de Estado concretas, como o CarnavalOuro Negro.
Na qualidade de filho de santo da Casa de Oxumaré desde 1998, onde ocupa o cargo de ogã confirmado para Ewá e o Oyê (título) de Oju Oba, Marcos Rezende atuou ativamente em diálogos institucionais com o poder público para o fortalecimento de projetos sociais que proporcionassem interação do terreiro com a comunidade onde está inserido, a fim de conscientizar as pessoas da importância da diversidade religiosa. Teve, ainda, participação ativa em ações em defesa da associação religiosa, o que resultou no tombamento estadual pelo IPAC e federal pelo IPHAN.
Foi exatamente essa pauta, de combate à intolerância com os cultos afrobrasileiros, que mais marcou a trajetória de luta desse militante. Uma atuação extensa, incessante e intermitente, de proximidade com diversos terreiros de candomblé, como a greve de fome em defesa do então demolido Terreiro OyáOnipó Neto, seguido pela reforma e pedido de desculpas do então prefeito a época, João Henrique Carneiro. Participou ativamente também da luta pela permanência do Ilê Axé Ayrá Izó, que tinha contra ele uma decisão judicial de reintegração de posse, dando visibilidade a essas comunidadese direção política contra a intolerância religiosa.
Também enquanto coordenador do CEN Brasil, elaboroua campanha nacional “Quem é de Axé Diz Que É”, que fez os religiosos de matrizes africanas do todo o país se afirmassem frente ao CENSO 2010 como tal. Através dessa campanha, fez com que o candomblé fosse visto como a religião que mais cresceu proporcionalmente na Bahia e em outros diversos estados do Brasil.
Projetos como o livrodo Ilê Axé Oxumarê, a Cartilha Pelos Direitos dos Religiosos de Matrizes Africanas, o Mapa da intolerância Religiosa, a produção do documentário “Até Oxalá Vai a Guerra” e, posteriormente, o livro e documentárioMulheres de Axé, respectivamente organizado e dirigido por Marcos Rezende, provam o compromisso dele com essa e outras causas. Estes deixaram como legado histórico a promoção da visibilidade de 200 ialorixás de Salvador, Região Metropolitana e do Recôncavo Baiano e concorreram a prêmios internacionais, por conta da importância que tiveram.
Conselho Nacional de Direitos Humanos, Conselho Nacional de Segurança Pública, Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Secretaria de Justiça da Bahia, Assessoria Parlamentar da Câmara dos Deputados, Assessoria Parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia e Assessoria Técnica da Secretaria Municipal de Reparação são outros espaços onde a atuação de Rezende foi decisiva par a construção de políticas no campo racial e por garantia de direitos humanos como um todo.

Esse é da gente!